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A Agencia Lusa noticia a posição da AMENA sobre a dita "complementaridade" com a Medicina Convencional.

Lisboa, 03 fev (Lusa) - Desesperados por saberem que têm cancro e em busca de um milagre, muitos portugueses recorrem às terapias alternativas, mas os médicos alertam para o risco de fazer estes tratamentos em exclusivo ou em simultâneo com a terapia convencional.

Aos 35 anos, Dora descobriu que tinha cancro da mama e ficou “alarmada e muito preocupada”. Após duas cirurgias e prestes a iniciar a quimioterapia, procurou ajuda num naturopata.

“O meu maior medo são os efeitos da quimioterapia, de ficar com as defesas em baixo e ter outras complicações. Por isso, estou a tentar precaver-me com terapias alternativas”, adianta, confessando ter “algum receio” de contar aos médicos que a seguem no hospital que está a fazer outros tratamentos.

Para Dora, a “maior dificuldade” é conseguir que “os médicos falem uns com os outros, de igual para igual, e conseguir que as medicinas se complementem”. “Eu estou a tentar fazer isso, mas é muito difícil. Ou não aceitam de um lado, ou não aceitam do outro”, sublinha.

Teresa, nome fictício, foi mais radical. Ela e o marido optaram por deixar os tratamentos convencionais para tratar do cancro que ambos sofriam.

O marido teve um cancro no maxilar há seis anos. Foi submetido a várias cirurgias e tratamentos que o deixaram muito debilitado e “mutilado”. No decorrer de todo o processo, Teresa descobriu que tinha um cancro na mama.

“Foi um choque para mim, mas depois enfrentei o problema”, conta, lembrando que decidiu desde logo não ser operada e sujeita a “mutilações” como aconteceu com o marido.

“Mamografias não faço mais. Médicos e picas não é comigo”, diz convictamente, frisando que descobriu nas terapias alternativas um meio de viver mais saudável.

Para o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Carlos Oliveira, é “um erro recorrer às medicinas alternativas como tratamento exclusivo do cancro”, porque “não há nenhuma evidência científica que prove qualquer eficácia”.

Por outro lado, alerta, os tratamentos não devem ser feitos em simultâneo: “Associar tratamentos alternativos à quimioterapia ou a tratamentos hormonais poderá causar interferência entre os medicamentos e os produtos utilizados nas medicinas alternativas”.

“Fora disso, se as pessoas quiserem gastar dinheiro a tomar vitaminas, só lhes faz bem. Mas é preciso que se trate de compostos vitamínicos reconhecidos”, sublinha.

O secretário nacional da Associação Medicina Natural e Bioterapêuticas (AMENA) reconhece que, “neste momento, não é possível dispensar a medicina clássica, nem é desejável”, mas defende que “as medicinas alternativas têm evidências que a medicina tradicional não reconhece porque não quer”.

Para Fernando Neves, as pessoas vão “à procura de um milagre” nas terapias alternativas, quando já não conseguem encontrar uma solução na medicina.

“Quando a solução de um lado é demasiada violenta, eles procuram alternativas”, afirma, comentando que “o insucesso pertencerá sempre à medicina”.

Fernando Neves está convicto de que, assim que a legislação sobre terapias alternativas “sair da gaveta”, poderá haver algumas mudanças de posições.

“Nós calculamos uma média de 10 anos para começar a conversar com a classe médica porque o orgulho é muito difícil de engolir”, refere.

“Estamos clandestinos em Portugal desde 1942 por decreto-lei. Durante esse tempo fomos fortemente pisados, violados nos nossos princípios, achincalhados em termos públicos para, agora de repente, haver perdão e reconversão”, acrescenta.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico ***

Lusa/fim

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